29 de abr de 2008

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28 de abr de 2008

A Justiça





"O Equilíbrio é a base da Grande Obra"
(Aforismo alquímico)



O Arcano da Justiça, representado na lâmina VIII do tarô, acentua sistematicamente uma união harmoniosa de forças opostas. Sentada num trono, a grande figura feminina simboliza o poder feminino sobre-humano. No entanto, empunha uma espada e usa um elmo de guerreiro, a denotar que a discriminação e a coragem masculinas estão também envolvidas em seu trabalho. Não segura a espada numa posição de defesa nem de ataque, mas erecta, como se pode segurar um cetro ou qualquer outro símbolo de domínio.


A Justiça segura a espada com a ponta voltada para o céu. Sólido e inabalável, o gládio age como fio de prumo para manter-lhe as decisões fiéis ao espírito. Na mão esquerda segura a balança, cujos dois pratos estão ligados por uma haste horizontal que enfatiza o eixo terreno. À diferença da espada, a balança , móvel, dá a entender a relatividade de toda a existência humana e a necessidade de pesar cada evento individual como um fenômeno único. Seus dois pratos, símbolos da receptividade e dualidades femininas, contrastam com a inflexível e singular afirmação da espada masculina. As respectivas linhas verticais e horizontais da espada e da balança, juntas, formam a cruz da luta espiritual contra a limitação humana, do idealismo contra a praticidade - a cruz sobre a qual somos todos empalados. A Justiça apresenta-se como mediadora entre as duas realidades. Ela não está olhando nem para a balança nem para a espada; ao invés disso, olha fixamente para a frente, quase como se estivesse em transe. É manifesto que a sua função requer antes introvisão espiritual do que visão intelectual. Às vezes usa uma venda nos olhos a fim de que o seu juízo não se deixe confundir por detalhes, nem a sua imparcialidade se deixe levar por considerações pessoais. Não está preocupada em combinar olhos e dentes. O seu é um pesar e um balançar mais sutil.


Os nossos juizados  e tribunais de justiça se preocupam principalmente com o ajustamento. Mantêm um equilíbrio de trabalho entre o indivíduo e o Estado e entre um indivíduo e outro. A solução correta para um problema legal não é determinada por uma régua de cálculo. O querelante que vence uma ação judicial nunca recuperará exatamente o que perdeu, seja a saúde, sejam os bens materiais, seja o tempo precioso, seja o nome honrado. O tribunal só pode adjudicar-lhe uma compensação. A Natureza , igualmente, oferece compensações, embora, aqui também, nunca se recupere exatamente o que se perdeu. Por exemplo: quando se enfraquece um sentido, os demais sentidos se tornam mais aguçados. O que quer que se ganhe nunca é idêntico ao que se perde, nem se poderá dizer que seja precisamente o oposto; mas, de um modo especial, compensa a perda da capacidade enfraquecida.


Quando sentimos tensões emocionais crescendo dentro de nós, a meditação sobre os pratos da balança de ouro da Justiça pode ajudar-nos a recuperar o equilíbrio. Eles são uma bela demonstração pictórica do modo com que todos os opostos podem funcionar juntos criativamente. O travessão de ouro os separa, de sorte que forças como o bem e o mal ou o amor e o ódio permanecem diferenciados, ao mesmo tempo que os prende, de sorte que eles não podem soltar-se um do outro e tornar-se autônomos. Como Shakti e Shiva, os dois estão ligados para sempre numa espécie de dança. Sua essência é um movimento perpétuo e gentil. A imobilidade fixa seria a estagnação. Em contraste com a figura poderosa da Justiça, os pratos aqui retratados têm um desenho delicado e gracioso. Gosto de imaginar a Justiça erguendo-se para segurá-los no alto ( como ela às vezes se apresenta). Quando o faz, os dois pratos da balança movem-se e oscilam de contínuo, como se fossem um gracioso móbile.


Cada separação do ventre da inconsciência traz consigo um sentimento de culpa, pois dá a impressão de ser um ferimento do todo. A consciência é uma atividade do eu; como tal é essencialmente uma questão particular e individual. Quer a projetemos em leis ou credos externos, quer decidamos problemas morais individualmente, o ponto em que nos sentimos culpados é relativo à nossa introvisão pessoal. Tenho amigos que, em sã consciência, não podem comer ovos nem carne. Conheço outros que não estão sujeitos a restrições alimentares, mas se sentem culpados quando não meditam regularmente. Vários moços de minhas relações negaram-se a participar da guerra no Vietnã, cada qual por motivos diferentes e cada qual de um modo diferente. Alguns cooperaram com o próprio esforço de guerra, mas recusaram-se a carregar armas. Outros enfrentaram a prisão porque se negaram a cooperar de qualquer maneira. Cada um desses moços tomou uma decisão diferente, e cada decisão era apropriada e, nesse sentido, certa para ele.


Disse  Jung da seguinte maneira: " Nunca se deve esquecer - e há que lembrar disso a escola freudiana - que a moral não nos veio do Sinai em tábuas de pedra para ser imposta ao povo, mas é uma função da alma humana, tão velha quanto a própria humanidade..." É o regulador instintivo da ação que também governa a vida coletiva do rebanho. Mas há sempre, inevitavelmente, um atraso cultural entre a expressão da consciência individual e sua codificação em lei pública. E compete aos tribunais lançar uma ponte sobre esse abismo pesando e medindo solicitações individuais contra a lei escrita. Surpreendentemente nossos tribunais são capazes de executar essa difícil tarefa mais amiúde do que se possa imaginar. Isso talvez se deva ao fato de ser a Justiça, tal qual aparece no tarô e em nossa tradição, uma mulher, e as questões de consciência pertencem à província tradicional da mulher, que é o sentimento.


Na realidade, a Justiça se relaciona com Libra através de sua antepassada, Astréia, filha de Zeus e Têmis, que perambulou pela Terra durante a idade de ouro e exerceu infuência benigna sobre a espécie humana. Entretanto, a impiedade e a violência subsequente do homem obrigaram a deusa a voltar para o céu, pois a desarmonia era contrária à sua natureza. Deram-lhe um lugar fixo nos céus como Virgem. A constelação de Virgem foi dividida mais tarde para criar os signos astrológicos de Virgem e Libra.


Como já observamos, os juizados e  tribunais de justiça são instrumentos úteis para se conseguir certos tipos de compensação e equilíbrio social. Às vezes parece, porém , que o que se procura nos  juízos e tribunais não está sendo julgado ali. Às vezes , talvez erroneamente nos voltamos para uma corte humana de justiça , em busca de respostas que só se encontram numa corte celeste.

Porventura no nível mais profundo da experiência humana, Deus e o homem são os dois pratos de uma série de balanças que , juntas , criam o Equilíbrio Uno - a duradoura harmonia cuja beleza e cuja verdade são as únicas que perduram.


 Fonte de Pesquisa : Jung e o Tarô - Uma Jornada Arquetípica, texto resumido e adaptado



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